Entrevistas

dezembro 2008

Paulo Roberto Falcão 20 de dezembro de 2008

Aclamado Rei de Roma, Paulo Roberto Falcão, mesmo depois de anos fora dos gramados, mantém seu prestígio entre o público do Brasil e do exterior. Sem perder o contato com o futebol, Falcão é comentarista da Rede Globo de Televisão e continua batendo um bolão, mesmo que agora nos bastidores.

Falcão foi um dos maiores nomes do futebol brasileiro. Primeiro brilhou no Sport Club Internacional, de Porto Alegre/RS, onde foi tricampeão brasileiro (1975, 1976 e 1979). Depois deixou os colorados desolados quando foi para a Itália jogar no Roma, da Itália, até 1985, onde conquistou duas vezes o campeonato da Copa da Itália e recebeu o título de majestade. Foi tão adorado pela torcida a ponto de o então papa João Paulo II pedir para não sair do seu time. Também atuou no São Paulo/ SP, quando voltou ao Brasil.

Falcão integrou a seleção brasileira de 1982, que mesmo não tendo conquistado o campeonato é considerada uma das melhores de todos os tempos. Além de sua qualidade técnica, Falcão era aclamado por sua elegância na arte de conduzir a bola. Essa elegância ele conserva até hoje como cidadão.

Em meio à agitada rotina de viagens e gravações, Falcão dispensou um tempo de sua agenda para dar uma entrevista exclusiva para a Confraria Gourmet. Confira:


• Não vemos mais outros jogadores que tenham a mesma classe, joguem com a mesma elegância, nem o futebol arte de antigamente. A que você atribui isso? Acredita que um dia voltaremos a assistir a esses espetáculos?

Não existe um motivo só para isso. Mas eu acho que na falta de maiores talentos se priorizou muito a parte física, e hoje um jogador muito bem preparado consegue se destacar, mesmo tendo uma qualidade mais baixa. Sobre o futebol arte, é uma boa pergunta. Para ter isso precisamos de treinadores mais ousados, que não se preocupem tanto com a parte defensiva, que formem times mais voltados a atacar do que só a defender.

• Conta-se que houve uma interferência, um pedido, do papa João Paulo II para que você não saísse do Roma. Como você sente todo esse prestígio do público?

Na verdade só fiquei sabendo dessa história muito tempo depois, mas é evidente que a gente fica muito feliz com essa preocupação, até porque ele era uma figura que tinha muita coisa mais importante para se preocupar. Mas acho interessante ele ter pedido, na época, para o primeiro-ministro Giulio Andreotti e para outras pessoas do meio, dizendo que queria que eu ficasse no Roma. É uma coisa muito boa e que faz bem.

• Quem é o Paulo Roberto Falcão? Ajude-nos a conhecer você um pouco melhor.

É muito simples. Tem meu trabalho, que é muita viagem, muito jogo, tenho que estar muito bem inteirado das coisas, mas não sou de sair muito. Um dia da semana temos que sair para jantar, não temos uma vida social muito intensa, até mesmo porque com esta atividade, esta rotina não deixa de ser tensa. Tenho que fazer um estudo dos times que vou trabalhar, a preocupação de fazer um trabalho e os deslocamentos. Trabalho em uma empresa que é disparada em nível de audiência, então sabemos que tem muita gente vendo e temos esta preocupação de passar para o telespectador coisas que sejam interessantes. É um trabalho bom, mas também de desgaste. Mas sou uma pessoa calma.

• Como você mantém a elegância mesmo depois de tanto tempo fora dos campos? Continua praticando exercícios? E como é a alimentação do eterno Rei de Roma?

Até o ano retrasado, eu jogava tênis todo fim de semana, fazia uma corrida, mas tive um problema na perna e tive que dar uma segurada. Agora estou tentando reativar. Jogo tênis no final de semana, quando dá, mas sem aquela competição. Sobre a alimentação, ando preocupado muito mais com a saúde do que com a parte física mesmo, mas uma coisa está ligada à outra.

• E o Falcão na cozinha? Você é um amante da gastronomia?

Eu faço um churrasquinho de vez em quando. Tentei fazer uma vez um risoto que aprendi na Itália, que eu adorava. Foi legal, mas foram poucas vezes. Gostaria de ter tido mais tempo, de ter aprendido mais. Poderia fazer isso agora, mas não diria que sou um grande gourmet. Mas aprecio uma boa comida.

• Você já morou no exterior e provavelmente conheceu a gastronomia de diversos cantos do mundo. Qual o prato mais estranho e o mais saboroso que já provou?

Eu evito pratos estranhos. Sou muito mais conservador nisso, vou muito mais no seguro e não gosto de arriscar. Este é um dos erros que cometo, porque às vezes deixo de provar algum prato porque não gosto muito ou da aparência, ou do cheiro. Também não tenho um prato mais saboroso, porque acho que depende muito do momento. Temos aqui alguns pratos muito saborosos, que são o carreteiro, a feijoada, o churrasco, mas de repente uma boa massa, que também é um prato maravilhoso.

• Você conhece os produtos Santa Clara?

Conheço os queijos da Santa Clara.

 

Paulo Roberto Falcão

Dê uma nota para a entrevista

7 votos

1 Estrela 2 Estrelas 3 Estrelas 4 Estrelas 5 Estrelas

Nota 4.4

Compartilhe essa entrevista

Imprimir