Entrevistas

dezembro 2012

Celia Ribeiro 13 de dezembro de 2012

Com simpatia e muito bom senso, todo domingo Celia Krieger Pinto Ribeiro responde a dúvidas de etiqueta dos leitores do jornal gaúcho Zero Hora. Com a experiência de seus 83 anos e uma intensa vida social, a colunista ainda acrescenta materiais de suas observações cotidianas, que trazem dicas e informações sempre úteis para quem acompanha seu trabalho.

Natural de uma família de classe média alta de Porto Alegre, iniciou sua carreira como atriz, porém foi no jornalismo que encontrou sua paixão. Já escreveu para diversos jornais e apresentou programas, no rádio e na TV, sobre cultura, moda, comportamento e outros temas, mas nos últimos anos tem se dedicado especialmente às dicas de etiqueta.

Entre os livros de sua autoria, Boas Maneiras & Sucesso nos Negócios, Etiqueta na Prática, Etiqueta na Prática para Crianças, Etiqueta Século XXI e Manual de Sobrevivência do Anfitrião Inexperiente são alguns, que tratam sobre as boas maneiras no convívio social.

Ao Em Foco ela divide sua experiência e ajuda você a ter um fim de ano mais agradável e a evitar as temidas gafes! Boa leitura.


Como jornalista, a senhora já abordou os temas moda, etiqueta, gastronomia... Com qual assunto mais se identifica e sobre qual mais gosta de escrever?

Quem faz jornalismo e livros sobre etiqueta necessita de conhecimentos de outras áreas, especialmente história dos costumes e literatura. Moda e gastronomia estão intimamente ligadas à etiqueta: não se trata das atitudes à mesa sem mencionar cardápios com harmonia entre os pratos. Não é só aceitar o convite para comparecer a uma festa, mas saber qual o traje mais adequado. Ao avaliar comportamentos se precisa usar de psicologia e filosofia de vida. Até economia é fundamental: saber viver é adaptar a montagem de uma festa ao limite de despesas, sem perda de qualidade. Assim, dá para entender por que eu me identifico com tantos temas.


Como especialista no assunto, qual atitude a senhora considera mais louvável em termos de etiqueta hoje em dia?

A vida social mudou muito e em pouco tempo. Assumir atitudes cerimoniosas gera distanciamento entre as pessoas, mas não significa intimidade. Até a forma de apresentar as pessoas mudou, tornou-se menos impessoal: “Vocês já se conhecem?” é o início da aproximação que será feita por quem vai apresentar. “Muito prazer” e “Igualmente” são expressões antiquadas, substituídas por “Como vai?”, “Tudo bem?”.


E qual é a mais reprovável? 

Desconfortável é deixar de apresentar pessoas que estão junto de você. Elas ficam sobrando e torna-se mais difícil iniciar uma conversa. Até criancinhas bem educadas apresentam a mãe às professoras.


Atualmente a internet é uma ferramenta indispensável. É polido fazer convites pelas redes sociais ou e-mail para as festas de fim de ano?

O convite para um jantar íntimo e para uma festa de final de ano pode ser feito por e-mail. Também as festas internas de empresas usam deste recurso. O cuidado deve ser de solicitar confirmação de presença, incluindo no convite virtual todas as informações necessárias para o convidado.


A senhora costuma receber convidados com frequência? O que o bom anfitrião jamais pode esquecer?

Gosto muito de receber meus familiares mais chegados e amigos aqui em casa. Tenho o cuidado de não convidar mais do que 16 pessoas, para elas não ficarem desconfortáveis. Se for na sala de jantar são oito à mesa principal e quatro para uma complementar. É importante o anfitrião lembrar quem integrar o grupo de convidados e que se houver uma pessoa de fora, que alguns dos outros convidados possam ter afinidade com ela. Quando se trata de prato único, ao convidar a gente se informa se a pessoa é alérgica a algum alimento. Especialmente no inverno é preciso reservar na casa um espaço para abrigos e guarda chuvas.


Que recomendação a senhora daria para quem é convidado a uma ceia na casa de amigos ou familiares?

Ao ser convidado para um jantar em casa de amigos íntimos, sem pessoal de serviço, convém perguntar se eles gostariam que se levasse bebidas, sobremesa ou outro prato. Sempre oferecer um presentinho aos anfitriões: garrafa de vinho, caixa de 6 cervejas, bombons, flores, etc.


E para festas de empresa, o que a senhora recomenda?

Convidadas não comparecem às festas empresariais com o vestido de profundo decote com o qual se vai à uma balada; nem com trajes de renda e rebordados próprios para uma festa de casamento à noite. Os homens abdicam de sandálias e tênis usados no esporte, calçam sapatênis escuro ou mocassim. Nada de camisetas de grande estamparia.


Duas situações constrangedoras nas festas: receber um presente que não agradou e receber um presente de alguém para quem não comprou nada. Como agir?

Não se escolhe presente; se não agradou, agradeça a intenção e diga algumas palavras de apreço. Só se dá roupa e sapatos para pessoas muito íntimas, das quais se conhece tamanho e estilo. Uma pessoa pode presentear sem ser por retribuição. Na próxima vez corresponderá àquela gentileza de acordo com suas posses.


Qual a pior gafe que pode ser cometida nas festas de fim de ano?

Beber demais na festa, dar vexame.


O que mais gosta de fazer, especialmente nas horas de descanso?

Nas horas de lazer, leio muito, gosto de visitar e receber meus amigos, jantar fora.


Pode nos contar uma lembrança da época de festas de fim de ano que marcou sua vida?

A vida de todos nós é marcada por uma sucessão de fatos, mas acredito que nada para mim suplanta as lembranças dos felizes natais na casa dos meus pais, com direito a Papai Noel e outras ilusões da vida.


Na opinião da senhora, qual o prato que não pode faltar na ceia?

Peru ao forno, inclusive em fatias de peito, arroz preparado na hora e servido quente com o molho do peru também quente na molheira, purê de maçã e de manga, farofa, salada de batata com maionese e legumes.


A senhora costuma cozinhar? Qual sua especialidade na cozinha?

Gosto de cozinha, curto a gastronomia, sei “ler” uma receita a ponto de ensinar outra pessoa a fazê-la. Sei organizar cardápios, mas o que eu sei fazer e gosto muito é sobremesa. Para mim – adoro doce – e para aqueles a quem amo.


A senhora pode deixar uma mensagem de fim de ano para os leitores do EmFoco?

Minha mensagem para os leitores do EmFoco é de muita alegria no final de ano, conseguir lembrar das tristezas sem sofrer, acalentar projetos para tornar sua realização possível em 2013. Jamais perder a esperança.


Foto: Ricardo Chaves/Zero Hora

Celia Ribeiro

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